SAIR DA ROTINA
No fundo, essas escapadinhas, acabam por ser uma rotina, elas próprias, já que fazemos questão, em família, de reservar alguns fins-de-semana do ano para este fim.
E o que ganhamos com isso? Tudo!
Desde muito nova que os meus pais faziam questão de me levar a passear pelo país, maioritariamente, e a conhecer in loco a História de Portugal. Quando falávamos do "berço da nacionalidade" eu associava imediatamente ao Castelo de Guimarães e ao local onde podemos ler: "Aqui nasceu Portugal", por exemplo.
Em termos de aprendizagem foi importante, mas em termos humanos também.
Sair da rotina põe-nos à prova. Entrando num grande lugar comum: sair da nossa zona de conforto é sempre um teste e não precisa de ser feito com recurso a grandes decisões, eventos ou viagens. O simples facto de estarmos num sítio que não nos é familiar faz-nos perceber como nos desenrascamos (essa qualidade tão portuguesa). É certo que hoje em dia há gps e mapas interativos, assim como há um rol de propostas orientadoras para os desconfortos da nossa vida.
Eu escolho sentir-me "desconfortável" algumas vezes porque sinto que é isso que me faz crescer. Raramente viajo com tudo planeado ao pormenor, gosto de deixar espaço ao improviso e ao "destino". Procuro entender a energia, as pessoas, as dinâmicas locais. E a maior riqueza que trago de cada passeio é, sem dúvida, a que resulta dessa abertura ao inesperado e ao que não estava previsto.
Há uma semana fizemos uma dessas escapadinhas até ao Alentejo. Sítio de origem de parte da minha família e onde vivi e trabalhei durante 10 anos da minha vida. Ainda assim, a atmosfera é sempre nova, o improviso acontece e pude ir a locais que ainda não conhecia, quase sem querer. Recarreguei baterias e percebi que guio muito a minha vida desta forma planeada, mas deixando algum espaço a alguma surpresa que possa acontecer.
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